SUA SEXUALIDADE É ASSUNTO SEU, SUA SAÚDE É ASSUNTO NOSSO!


Mulheres lésbicas e bissexuais sentem-se inibidas em procurar ajuda do ginecologista. Revelar nossa intimidade num contexto social de enorme preconceito não é uma tarefa fácil. E ainda existe o medo do uso dos aparelhos (como o espéculo) para aquelas que não sofrem penetração nas suas relações sexuais.


Embora não seja possível estimar quantas vão aos consultórios, pois não existe a possibilidade de informação da orientação sexual no prontuário médico, apontamos para a falta de um espaço adequado para dialogarmos sobre nossas dúvidas e práticas sexuais.

A falta de acolhimento por parte do corpo de profissionais de saúde na rede pública, somadas ao medo da rejeição e ao preconceito efetivamente existente, faz com que muitas dentre nós saiamos dos consultórios com recomendações para usar pílulas anticoncepcionais ou camisinhas masculinas.

Sem orientação adequada algumas acham que só desenvolvem câncer de útero mulheres quem têm relações heterossexuais, deixando de prestar atenção a um fator de aumento de risco para aquelas que nunca tiveram uma gravidez e desconsiderando a necessidade de fazerem os exames e a prevenção de DSTs/AIDS.

Temos necessidade de efetivar o plano nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) e assegurar a assistência ginecológica de qualidade e atenção à saúde integral em todas as fases da vida para todas as mulheres, sejam lésbicas, bissexuais, transexuais ou heterosexuais.

No consultório médico não entra o preconceito e ali TODAS SÃO BEM VINDAS!

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Principais Resultados da Pesquisa

  • Pesquisa revela tensão, por parte dos médicos, entre a noção de homossexualidade como distúrbio hormonal ou doença psíquica e a necessidade de aderir a um discurso “politicamente correto” de não discriminação.

  • No caso das mulheres os dados indicam que a saúde em geral é um tema delicado porque envolve experiências de discriminação e expectativas de desconforto, particularmente em relação à consulta ginecológica.

  • As mulheres mais masculinas tendem a evitar os médicos, recorrendo aos serviços de saúde, em geral, apenas nas situações em que se percebem incapacitadas para o trabalho ou para realizarem atividades cotidianas.

  • A abordagem das questões de prevenção faz pouco sentido para as entrevistadas lésbicas porque elas não percebem riscos nas suas práticas sexuais. Além disso, o tema desperta tensões no que diz respeito ao imperativo da fidelidade conjugal e a própria afirmação de uma identidade lésbica.

  • Há um pacto de silêncio a respeito da homossexualidade: os profissionais não falam sobre este assunto por medo de invadir a privacidade ou discriminar as pacientes, ou simplesmente porque não se sentem capacitados (tecnicamente) para abordar o assunto.

  • Já as mulheres têm receio de serem tratadas com distinção e alimentam dúvidas quanto à necessidade dessa informação durante a consulta, o que as faz silenciar sobre sua orientação e práticas sexuais.
  • O Resultado disso é uma consulta impessoal, que não reconhece a diferença das mulheres lésbicas e bissexuais, com pacientes acuadas pelo medo da discriminação explícita e um silêncio de ambas as partes que afasta as mulheres lésbicas, sobretudo as mais masculinizadas dos consultórios do SUS.

  • As consultas não raro resultam em receitas de contraceptivos e indicação de uso de camisinhas masculinas, o que faz com que as mulheres, invisibilizadas, não retornem ao consultório médico.


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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Especialistas pedem para governo agir com cautela na adoção do tratamento antecipado do HIV/aids para adultos


(Agência de Notícias da Aids) Feito nessa segunda-feira (14) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o anúncio de que o Ministério da Saúde passará a ofertar antirretrovirais para os pacientes adultos assim que for diagnosticada a infecção pelo HIV, não mais quando o CD4 (células de defesa) estiver abaixo de 500, virou assunto do dia entre especialistas e ativistas. Diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Fábio Mesquita disse que esse é um grande passo do Brasil rumo à meta preconizada pelo Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids (Unaids) de eliminar a doença até 2030. Pesquisador e professor da Universidade de São Paulo (USP), Mário Scheffer acha que a decisão só será um avanço se estiver conectada com os reais problemas da epidemia no Brasil.

Leia também: Pacientes com HIV terão tratamento antecipado, diz ministério (O Estado de S.Paulo)
Aberta a consulta pública sobre possibilidade de pacientes com HIV terem tratamento antecipado (Agência Brasil)

"A medida traz o que a ciência tem de mais avançado e impacta diretamente na morbidade, porque evita-se complicações clínicas, como a co-infecção. Na mortalidade, porque quanto mais cedo é iniciado o tratamento mais chances de evitar problemas. E na prevenção, porque derruba a carga viral e, assim, diminui a transmissão", diz Fábio Mesquita. O diretor do Programa lembra que, em 2012, o Brasil registrou 12 mil mortes por HIV/aids. E 30% se deram pela co-infecção por tuberculose, a maior causa atual de mortalidade.

O Brasil é o terceiro país a adotar o início do tratamento logo no diagnóstico, independentemente do nível de CD4.  Nos Estados Unidos e na França, o tratamento já é aplicado com sucesso, segundo Mesquita.  " Por aqui, a regra passará a ser adotada em novembro, com a publicação da portaria."

"Não resta dúvida de que a decisão tem evidências científicas como comprovaram os outros países", concorda Mário Scheffer, antes de alertar: "Mas não adianta começar mais cedo o tratamento se faltam ações para diminuir a alta taxa de diagnóstico tardio, se não forem tomadas medidas para resolver o caos da superlotação na rede de assistência e se for mantido o abandono de políticas para as populações vulneráveis, entre as quais a epidemia se concentra."

Coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Maria Clara Gianna, assim como Scheffer, está preocupada com a demora no diagnóstico. "Os pacientes chegam ao serviço público com CD4 muito abaixo de 500", diz ela, que é médica sanitarista. "Acho a medida importante, ela vai trazer benefícios, vai diminuir a transmissão, mas, para ser efetiva, tem de expandir o diagnóstico, fazendo com que ele chegue precocemente às populações vulneráveis." Maria Clara também defende a maior organização dos serviços de atendimento visando a adesão ao tratamento, levando em conta que muitos pacientes abandonam os remédios ou deixam de tomá-los corretamente.

Eliana Battaggia Gutierrez, coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, se diz favorável à medida, especialmente por acreditar que a antecipação do tratamento trará um benefício coletivo. "As pessoas com carga viral indetectável transmitem menos o vírus HIV", afirma. Mesmo assim, ela também pede atenção especial para a adesão e os efeitos colaterais. "As instituições, os pacientes e os médicos precisam ficar muito atentos a isso. Todos os medicamentos podem trazer benefícios, mas apresentam efeitos colaterais. Por isso, o médico tem de analisar caso a caso antes de iniciar o tratamento antirretroviral", diz Eliana.

Coordenadora de Políticas Estratégicas da ONG Gestos, a jornalista Alessandra Nilo concorda com Eliana. Para ela, o paciente precisa ser informado de todos os efeitos colaterais que a droga pode causar. "Ter medicamento garantido para todos é medida importante e bem-vinda, mas o médico deve analisar caso a caso. Fico pensando como estará essa pessoa 15 anos depois de ter iniciado o tratamento."

"Hoje, com a evolução dos medicamentos, cada vez mais temos menos efeitos colaterais", diz Fábio Mesquita. "E, com certeza, os benefícios compensarão os riscos. Quem diz isso é a ciência, não sou eu." Ele também acredita que a ampliação da oferta de remédios vá levar à melhoria de todos os serviços que envolvem a terapia antirretroviral. "Quanto mais gente em tratamento, mais conseguiremos entender e interferir para melhorar a qualidade de vida dos pacientes", defende ele.

Mesmo assim, a jornalista Alessandra Nilo teme que o governo esteja agindo precocemente ao anunciar a medida e pede que tudo seja feito com cautela. "Cada caso é um caso. Acho que o médico deve conversar com cada um e verificar se existe condições de adesão ao tratamento. Será que se o CD4 estiver bom não é possível esperar esse paciente se preparar para a medicação?", ela pergunta.

O diretor da Associação Espaço de Prevenção e Atenção Humanizada (EPAH), José Araújo Lima, se diz a favor da implantação de novas tecnologias desde que as atuais funcionem. "Hoje, as pessoas esperam em média seis meses para a primeira consulta depois do diagnóstico e têm carga viral altíssima e CD4 baixo. Acredito que a antecipação do tratamento pode ser um salto na luta contra a aids, mas o resultado disso só vamos ver daqui três ou quatro anos. Por isso, precisamos garantir as tecnologias atuais funcionando bem", diz Araújo.

Assim como Alessandra, Eliana e Maria Clara, ele destaca a importância de os médicos, desde o primeiro momento, orientar e esclarecer corretamente sobre os efeitos colaterais e garantir a adesão ao tratamento.

Acesse o PDF: Especialistas pedem para governo agir com cautela na adoção do tratamento antecipado do HIV/aids para adultos (Agência de Notícias da Aids - 15/10/2013)  


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