SUA SEXUALIDADE É ASSUNTO SEU, SUA SAÚDE É ASSUNTO NOSSO!


Mulheres lésbicas e bissexuais sentem-se inibidas em procurar ajuda do ginecologista. Revelar nossa intimidade num contexto social de enorme preconceito não é uma tarefa fácil. E ainda existe o medo do uso dos aparelhos (como o espéculo) para aquelas que não sofrem penetração nas suas relações sexuais.


Embora não seja possível estimar quantas vão aos consultórios, pois não existe a possibilidade de informação da orientação sexual no prontuário médico, apontamos para a falta de um espaço adequado para dialogarmos sobre nossas dúvidas e práticas sexuais.

A falta de acolhimento por parte do corpo de profissionais de saúde na rede pública, somadas ao medo da rejeição e ao preconceito efetivamente existente, faz com que muitas dentre nós saiamos dos consultórios com recomendações para usar pílulas anticoncepcionais ou camisinhas masculinas.

Sem orientação adequada algumas acham que só desenvolvem câncer de útero mulheres quem têm relações heterossexuais, deixando de prestar atenção a um fator de aumento de risco para aquelas que nunca tiveram uma gravidez e desconsiderando a necessidade de fazerem os exames e a prevenção de DSTs/AIDS.

Temos necessidade de efetivar o plano nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) e assegurar a assistência ginecológica de qualidade e atenção à saúde integral em todas as fases da vida para todas as mulheres, sejam lésbicas, bissexuais, transexuais ou heterosexuais.

No consultório médico não entra o preconceito e ali TODAS SÃO BEM VINDAS!

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Principais Resultados da Pesquisa

  • Pesquisa revela tensão, por parte dos médicos, entre a noção de homossexualidade como distúrbio hormonal ou doença psíquica e a necessidade de aderir a um discurso “politicamente correto” de não discriminação.

  • No caso das mulheres os dados indicam que a saúde em geral é um tema delicado porque envolve experiências de discriminação e expectativas de desconforto, particularmente em relação à consulta ginecológica.

  • As mulheres mais masculinas tendem a evitar os médicos, recorrendo aos serviços de saúde, em geral, apenas nas situações em que se percebem incapacitadas para o trabalho ou para realizarem atividades cotidianas.

  • A abordagem das questões de prevenção faz pouco sentido para as entrevistadas lésbicas porque elas não percebem riscos nas suas práticas sexuais. Além disso, o tema desperta tensões no que diz respeito ao imperativo da fidelidade conjugal e a própria afirmação de uma identidade lésbica.

  • Há um pacto de silêncio a respeito da homossexualidade: os profissionais não falam sobre este assunto por medo de invadir a privacidade ou discriminar as pacientes, ou simplesmente porque não se sentem capacitados (tecnicamente) para abordar o assunto.

  • Já as mulheres têm receio de serem tratadas com distinção e alimentam dúvidas quanto à necessidade dessa informação durante a consulta, o que as faz silenciar sobre sua orientação e práticas sexuais.
  • O Resultado disso é uma consulta impessoal, que não reconhece a diferença das mulheres lésbicas e bissexuais, com pacientes acuadas pelo medo da discriminação explícita e um silêncio de ambas as partes que afasta as mulheres lésbicas, sobretudo as mais masculinizadas dos consultórios do SUS.

  • As consultas não raro resultam em receitas de contraceptivos e indicação de uso de camisinhas masculinas, o que faz com que as mulheres, invisibilizadas, não retornem ao consultório médico.


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POSTAGENS

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sábado, 29 de junho de 2013

Mulheres com mais de 25 anos poderão ser vacinadas contra o HPV

28/06/2013 

  • Saúde
Mariana Tokarnia
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Mulheres com mais de 25 anos poderão ser vacinadas contra o HPV (papilomavírus humano), de acordo com decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicada Diário Oficial da União, edição de terça-feira (25). Antes, a aplicação da vacina era limitada a mulheres de 9 anos a 25 anos.
O HPV é uma doença sexualmente transmissível. A infecção causada pelo vírus aumenta em até 100 vezes o risco de a mulher desenvolver câncer no colo do útero. A vacina imuniza contra os tipos mais comuns do vírus.
Segundo estudo da Associação Brasileira de Patologia no Trato Genital Inferior e Colposcopia, após cinco anos de atividade sexual, 60% das mulheres se infectam com algum dos 130 genótipos do HPV. A decisão da Anvisa garante a mais mulheres acesso à vacina.
 
Edição: Aécio Amado
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil. É necessário apenas dar crédito à Agência Brasil



quarta-feira, 26 de junho de 2013

CFP lança Nota Pública sobre Ato Médico

Na calada da noite de terça-feira (18/6), o Senado Federal antecipou a ordem do dia e aplicou um duro golpe nos profissionais de saúde com a aprovação do Projeto de Lei Suplementar (PLS) nº 268/2002, que dispõe sobre o exercício da Medicina, conhecido como Ato Médico. O PLS foi colocado na pauta pelo presidente da Casa, Renan Calheiros, e pelo senador Romero Jucá, fruto de mais um acordo fechado com apoio da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

O orgulho da classe médica ao comemorar a aprovação do PLS dentro do Plenário do Senado fere não somente a Psicologia, mas todo o paradigma de saúde que o Brasil conquistou na construção do Sistema Único de Saúde (SUS), fortalecendo a ideia de que a saúde é uma construção multiprofissional, que envolve várias atividades.

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) se manifesta, de maneira ainda mais incisiva, por meio da campanha lançada hoje, para que a presidente Dilma Rousseff vete o artigo que atribui ao médico a função do diagnóstico nosológico e da prescrição terapêutica, áreas nas quais não possui habilitação. A autarquia vai dispor de toda sua capacidade de articulação com o governo, entidades ligadas ao tema e sociedade civil para que esse projeto não siga adiante: Campanha Ato Médico #VetaDilma!

Desde o início de sua tramitação, o CFP e diversas categorias da saúde pública no Brasil se mobilizaram pela não aprovação da matéria, que interfere no exercício de outras profissões da saúde. As ações mais recentes incluem um pedido, realizado em 13 de junho pelo Fórum dos Conselhos das Profissões da Área da Saúde (FCPAS), em reunião com o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, sobre a reforma do artigo 4º – o qual estabelece que as competências privativas da atividade médica sejam limitadas à sua área de atuação, a fim de evitar a insegurança jurídica para as demais atividades de saúde.

É importante frisar que não há posicionamento contrário à regulamentação da Medicina. Os médicos podem e devem trabalhar para que a sociedade reconheça as competências específicas destes profissionais. No entanto, isto não pode ser feito em detrimento de qualquer outra profissão na área da saúde.

O PL pretende tornar privativo da classe médica todos os procedimentos de diagnóstico sobre doenças, indicação de tratamento e a realização de procedimentos invasivos e, ainda, a possibilidade de atestar as condições de saúde, desconsiderando a trajetória das demais profissões que constituem o cenário da saúde pública na ótica do SUS.

Igualmente, torna privativa do médico a chefia de serviços, indicando uma hierarquização que não corresponde aos princípios do trabalho multiprofissional que precisa ser construído na saúde. O PL coloca em evidência o interesse corporativista por reserva de mercado. Haja vista que teve origem na Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.627/2001, cujo texto elucida o tema.

O Ato Médico, além de prejudicar a autonomia de cada profissão, impede a organização de especialidades multiprofissionais em saúde. Milhões de usuários sabem os benefícios do SUS e reconhecem o valor de todos os profissionais no cotidiano das unidades de saúde. Hoje, uma série de políticas públicas de saúde, como Saúde Mental, Atenção Básica e outras oferecidas à população, contam com profissionais de várias áreas trabalhando de forma integrada e articulada. As equipes multidisciplinares definem em conjunto o diagnóstico e o tratamento, somando suas diversas visões de saúde e de doença para chegar à melhor intervenção. Os usuários não podem ser penalizados desta forma, perdendo esta possibilidade.

Desde que o Projeto de Lei do Ato Médico foi apresentado pela primeira vez no Senado Federal, em 2002, o CFP luta e se mobiliza para que o dispositivo não seja aprovado da forma como está, uma vez que restringe a atuação dos outros profissionais da área e cria uma hierarquização em detrimento da multidisciplinaridade consagrada pelo SUS.

Ao longo deste período, em conjunto com os Conselhos Regionais e outros conselhos da saúde, participou de inúmeras manifestações. Esse cenário constitui uma atuação histórica, destacada na defesa de temas de interesse coletivo e não corporativistas na área da saúde, como é o caso do PL do Ato Médico.

O CFP sempre esteve à frente das manifestações contra a aprovação desse Projeto de Lei Suplementar, e permanecerá. Já reuniu milhares de pessoas em atos realizados, em conjunto com outras profissões da saúde, em diversas cidades e capitais brasileiras, promovidos constantemente desde 2004. As entidades da Psicologia continuarão em vigília e mobilizado os diversos atores para que o PL do Ato Médico seja vetado pela líder do Poder Executivo.

Vamos apelar para que a sansão da presidente Dilma Rousseff priorize o consenso das profissões da área da saúde, garantindo a regulamentação da medicina, a autonomia das demais profissões de saúde e, principalmente, a existência do SUS.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA


Nota do CNDM ao Ministério da Saúde.

Nota ao Sr. Ministro 

Dr. Alexandre Padilha

Ministério da Saúde

Nós, entidades da sociedade civil, integrantes do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher-CNDM, vimos manifestar nossa indignação diante das alterações realizadas pelo Ministério da Saúde, no Capitulo III do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres - PNPM 2013/2015– Saúde Integral das Mulheres e Direitos Sexuais e Reprodutivos.  Essa medida autoritária modifica os conteúdos aprovados na Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres de 2011 e incorporados na redação do plano em fevereiro de 2013 e são o resultado de um amplo processo de mobilização social, que contou com a participação de grupos de mulheres de diversos segmentos e de sociedades médicas que trabalham pelos direitos das mulheres na área da saúde e dos direitos sexuais e reprodutivos, processo que contou com a participação de mais de 200 mil pessoas em todo o Brasil.

O Brasil é signatário da Conferência Internacional da ONU sobre População e Desenvolvimento, realizada no Cairo, em 1994 e da IV Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada em Beiging, em 1995, que garantem os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres como direitos humanos. Nessas Conferências, os governos de vários países, entre eles o Brasil, assumiram o compromisso de pautar a formulação e a implementação de políticas públicas pelo respeito e garantia aos direitos humanos, entre os quais se incluem os direitos sexuais e os direitos reprodutivos.

Além de difícil comprensão é inaceitável que um governo popular e comprometido com a agenda das mulheres venha alterar com ameaças de retrocesso o PNPM, como por exemplo substituir o termo abortamento (Atenção Humanizada ao Abortamento - Norma Técnica do MS de 2005, e 2ª Edição em 2011), por intercorrências obstétricas, entre outros absurdos, como está no PNPM "reformulado" à luz de velas pelo Ministério da Saúde.

Os países do MERCOSUL alcançaram um significativo avanço na construção do consenso sobre a saúde sexual e reprodutiva através da aprovação do Acordo RMSM-EA N º 20/04 e 21/04. Esse documento, consiste numa Declaração conjunta dos EEPP e EEAA que foi elevado à Trigésima sessão da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), ocorrida em San Juan de Porto Rico no dia 20 de julho de 2004. Nessa ocasião o MERCOSUL apresentou, dentre outros, os seguintes pontos de convergência que até este momento tem sido respeitados:

-Reconhecer plenamente os direitos sexuais e reprodutivos das pessoas sem discriminação de nenhum tipo;

-Avançar na implementação de políticas integrais de saúde sexual e reprodutiva de forma coordenada e revisar a legislação vigente dos nossos países;

-Redobrar os esforços para reduzir a morbidade e mortalidade materna, levando em consideração todas as causas, garantindo o acesso a serviços de planejamento reprodutivo, atenção obstétrica de qualidade e atenção humanizada das consequências do aborto  inseguro e o acesso aos serviços de aborto legal, quando a legislação assim o permitir.

As mudanças realizadas no PNPM por este ministério, representam um grave retrocesso em políticas e normas já assumidas neste órgão e ferem os  princípios de liberdade e de direitos. Consideramos a necessidade de revisão do texto e a inclusão dos conteúdos originais pelo Ministério da Saúde e lamentamos a ausência de sua representação na reunião do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher realizada nos dias 4 e 5 de junho de 2013, onde esta questão foi debatida.

Atenciosamente

Conselho Nacional dos Direitos da Mulher

Articulação de Mulheres Brasileiras;

Articulação Nacional de Mulheres Negras;

Liga Brasileira de Lésbicas;

Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos;

União brasileira de Mulheres;

terça-feira, 25 de junho de 2013


E se a vítima de estupro do ônibus 369 engravidasse?

Terça-feira, 11 Junho 2013 – 10:39
Photo: OCarlitos
Há pouco mais de um mês, uma mulher de 30 anos foi estuprada por um homem dentro do ônibus 369, em direção à Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O homem entrou em posse de uma arma, ordenou que os passageiros ficassem na parte de trás do ônibus e que um deles recolhesse pertences dos outros e colocasse numa mochila.
Enquanto isso, ele estuprava a mulher na parte central do veículo.
Quatro dias após o crime, um jovem de 16 anos apresentou-se à polícia declarando-se culpado. O acontecimento fortaleceu um fervoroso debate – que causou muita polêmica, sobretudo nas redes sociais – sobre a proposta de redução para a maioridade penal. Não queremos nos concentrar neste debate, apesar de ser de suma relevância. Vale apenas destacar que o massivo apoio à redução da maioridade penal nos parece mais um representativo do momento presente em que a agenda dos Direitos Humanos vem sofrendo fortes ataques de diversos ângulos: redução da maioridade penal, projeto para "cura gay" (muito embora o Conselho Nacional de Justiça tenha legalizado, recentemente, o casamento igualitário) e o Projeto de Lei referente ao Estatuto do Nascituro, aprovado há dois dias na Comissão de Finanças e Tributação do Congresso Nacional.
Apesar de avanços recentes no que se refere aos direitos das mulheres, o cenário político brasileiro nos apresenta diversos riscos de retrocessos. A tentativa de aprovação do Projeto de Lei nº 478/2007, que determina direitos aos nascituros (mais comumente chamado de feto, que ainda não nasceu), é um claro exemplo disso. O Projeto - de autoria de Luiz Bassuma (PT/BA) e Miguel Martini (PHS/MG) – foi desarquivado em 2011 pela deputada Sueli Vidigal (PDT/ES) e acaba de ser aprovado pela Comissão de Finanças e Tributação, sendo encaminhado para a Comissão de Constituição e Justiça, se aproximando cada vez mais de se tornar lei.
Quando vemos que o Estatuto traz direitos aos nascituros, alguns deles já estabelecidos no Código Civil, notamos que o Projeto de Lei viola direitos humanos das mulheres e afasta ainda mais a sociedade do necessário debate sobre os altos índices de abortos inseguros e de morbidade e mortalidade materna no Brasil.
A criação do Estatuto não simplesmente busca dar direitos aos fetos, mas também criminalizar e sujeitar as mulheres a uma situação de vulnerabilidade ainda maior. O Projeto de Lei criminaliza qualquer tipo de interrupção da gravidez, incluindo aqueles casos já reconhecidos por lei, bem como em casos de fetos anencéfalos (apesar de não constar no Código Penal, recentemente o STF permitiu em votação a interrupção da gravidez nesses casos). Por exemplo, nos casos em que a gravidez põe em risco a vida da mulher ou em casos de estupro, o Estatuto prevê que a vida do nascituro deve ser preservada acima de qualquer coisa. Ou seja, mesmo sendo dona de seu corpo e fazendo a escolha de viver, a mulher é obrigada a correr o risco de morrer para que dê vida ao feto. E mesmo depois de sofrer uma penosa violação física e psicológica, a mulher é obrigada a manter a gravidez que foi resultada de um estupro – porque o estuprador é o "genitor", segundo o PL. Mesmo nos casos de aborto espontâneo, uma mulher deverá passar por uma investigação para que a polícia tenha certeza de que o aborto não foi, em nenhum momento, planejado.
Assim, a proposta do Estatuto do Nascituro apresenta em vários momentos proposições que institucionalizam a violência psicológica a várias mulheres, tais como àquelas que já passaram por uma, ou a pior das violências: a sexual. Que tal ler para o resto de sua vida o nome do seu estuprador na certidão de nascimento de seu filho? Sim, isto consta na redação do Estatuto.
O caso de estupro do ônibus 369 que teve grande repercussão é apenas um dos vários casos de estupros que acometem as mulheres. No Estado do Rio de Janeiro, apenas, 16 mulheres são vítimas de estupro, a cada dia. O que queremos destacar, enfim, é que, além de impedir qualquer debate sobre o aborto, que leve em consideração os efeitos perversos de sua criminalização para a vida das mulheres, em especial as pobres, o Estatuto do Nascituro reforça uma lógica de criminalização e culpabilização das mulheres, por aquilo que elas não têm culpa, pelo contrário, são vítimas.
E ainda tem gente que acha que a "cultura do estupro", contra o qual o movimento de mulheres luta, não passa somente de um "mito da opressão feminina"...
Se você também é a favor do cumprimento efetivo dos direitos das mulheres, assine: http://www.avaaz.org/po/petition/Diga_NAO_ao_Estatuto_do_Nascituro_PL_4782007/
Carolina Coêlho e Emilia Jomalinis
- See more at: http://www.actionaid.org.br/brasil/2013/06/e-se-vitima-de-estupro-do-onibus-369-engravidasse#sthash.EoP3Hjti.dpuf



quarta-feira, 12 de junho de 2013

Saúde e Prevenção

SEM MEDO DE SER FELIZ:
Pela afirmação dos direitos humanos como princípio para a prevenção em saúde

Nota pública do Grupo de Trabalho em Gênero e Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO)

Indignadas/os com os recentes episódios - que resultaram na suspensão e posterior "relançamento" de material de comunicação alusivo ao Dia Internacional das Prostitutas -, as/os integrantes do Grupo de Trabalho em Gênero e Saúde da ABRASCO (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) vêm a público manifestar seu total apoio à equipe do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, responsável pela elaboração deste material, que foi injustamente censurada por produzir nada mais que uma genuína mensagem de prevenção.

No texto que informa o "relançamento" do material (agora em formato de Campanha), o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa argumenta que "É fundamental que grupos vulneráveis tenham conhecimento dos locais de distribuição da camisinha. A camisinha feminina permite que a mulher decida sobre o uso do preservativo, de modo que essa escolha não seja apenas do homem. É uma estratégia que faz parte da política brasileira de ampliar as opções de proteção às doenças sexualmente transmissíveis".
Porém, é importante lembrar que o alardeado internacionalmente (e atualmente questionado) sucesso da "Resposta Brasileira à Epidemia" não está baseado exclusivamente na promoção do acesso ao uso de preservativos e da oferta de medicamentos para quem vive com HIV. Considerando o problema em sua complexidade, ao longo das últimas décadas, a sociedade e o governo brasileiro tem investido esforços em tratar o problema pela raiz e não pelo sintoma.

Nesta perspectiva, mensagens do tipo "Cidadã, use camisinha!" assumem sentido bem mais complexo. Para populações mais vulneráveis, o primeiro passo é a afirmação da cidadania, afinal, séculos de tradição e práticas sexistas, machistas, homofóbicas e racistas produziram em nosso país, estigmas e consequências indeléveis à autoestima e autoaceitação de LGBT, negros/as, pobres, mulheres e, particularmente, as prostitutas.

Em outras palavras, qualquer medida de prevenção em saúde, ao tratar de populações em situação de maior vulnerabilidade, deve considerar, antes de qualquer coisa, as condições e possibilidades de existência para essas pessoas, ou seja, as diversas formas a partir das quais essas pessoas foram impedidas de existir em sua plenitude, que as impediram de realizar seu "projeto de felicidade".

José Ricardo Ayres (2007), Doutor em Medicina e Professor Titular em Medicina Preventiva da USP, define "projeto de felicidade" como "totalidade compreensiva na qual adquirem sentido concreto as demandas postas aos profissionais e serviços de saúde pelos destinatáriosde suas ações" (p. 54).

Assim, é importante que fique claro que o material censurado, como informa o próprio site do Ministério da Saúde, foi produzido "a partir de uma Oficina de Comunicação em Saúde para Profissionais do Sexo, realizada entre os dias 11 e 14 de março de 2013, em João Pessoa (PB). Participaram da Oficina representantes de organizações não-governamentais, associações e movimentos sociais que atuam junto a profissionais do sexo de todas as regiões do país, apoiando o enfrentamento às DST, aids e hepatites virais."

Ou seja, as mensagens foram produzidas pelas próprias destinatárias das ações de promoção à saúde, inclusive a supostamente polêmica afirmação "Eu sou feliz, sendo prostituta!".

Como bem referiu Fernanda Benvenutty, enfermeira e militante transexual brasileira, em evento sobre "gestão de riscos", promovido recentemente pelo Departamento de Aids do Ministério da Saúde (entre 3 e 4 de junho): ao dizer que são felizes, sendo prostitutas, o que essas mulheres estão afirmando é que, APESAR de uma cultura machista, APESAR de uma sociedade que não as respeita, que as discrimina e que insiste em invisibilizá-las, apesar de um governo que não respeita seu verbo e suas práticas, APESAR DE TUDO ela é feliz! E esse direito humano à felicidade não lhes pode ser negado.

E como podemos, então, lidar com esse "projeto de felicidade"? Ayres (2004) defende "que não devemos lidar com os projetos de felicidade de indivíduos e populações como se fossem alguma espécie de 'planejamento'. Antes que uma 'planilha', onde são fixados metas, recursos e estratégias, a idéia que mais se aproxima à do projeto de felicidade é o de uma obra de arte - uma pintura, um poema, uma escultura - pela qual se expresse a vida e o aspecto de saúde em questão" (...) Além disso, na expressão do projeto de felicidade, como na produção do poema, da pintura, da escultura, misturam-se razão e afetos, luz e sombra, o explícito e o suposto, o retratado e o não-retratado, o retratável e o não-retratável. O projeto de felicidade é, no modo como se expressa, uma totalidade compreensiva" (p. 57).

Portanto, o material de comunicação produzido em homenagem às prostitutas, em sua arte, inscreve profundo respeito por essas pessoas, as afirmam como cidadãs e certamente promovem autoaceitação e, consequentemente, as capacitam a promover prevenção, defendendo-se da tradição que as subjulga e que tenta calá-las.
Vale lembrar que no Brasil, prostituição não é crime, é ocupação incluída pelo Ministério do Trabalho e Emprego, na Classificação Brasileira de Ocupações, inclusive com atribuição de "participar em ações educativas no campo da sexualidade", conforme descrito a seguir.

5198-05 - Profissional do sexo (Garota de programa, Garoto de programa, Meretriz, Messalina, Michê, Mulher da vida, Prostituta, Trabalhador do sexo)
Descrição Sumária: Buscam programas sexuais; atendem e acompanham clientes; participam em ações educativas no campo da sexualidade. As atividades são exercidas seguindo normas e procedimentos que minimizam a vulnerabilidades da profissão

Portanto, pela cidadania, pelo respeito, pela efetividade das medidas de prevenção em saúde "projetos de felicidade", inclusive de prostitutas, não devem ser reprimidos e sim considerados como ponto de partida de qualquer iniciativa em saúde pública... sem medo de ser feliz!

Fontes
§  AYRES, José Ricardo C. M.. Uma concepção hermenêutica de saúde. Physis [online]. 2007, vol.17, n.1, pp.43-62. ISSN 0103-7331. http://www.scielo.br/pdf/physis/v17n1/v17n1a04.pdf

§  Site do Portal sobre aids, doenças sexualmente transmissíveis e hepatites virais do Ministério da Saúde -www.aids.gov.br/noticia/2013/campanha-orienta-prostitutas-sobre-prevencao-de-dst-e-aids

§  Classificação Brasileira de Ocupações. www.mtecbo.gov.br

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Estatuto do Nascituro - Católicas pelo Direito de Decidir


"A coordenadora do movimento feminista pró-aborto Católicas pelo Direito de Decidir, Yury Puello Orozco, acredita que o projeto não passará pela CCJ.

"O estatuto concede para um embrião o mesmo status jurídico que uma pessoa já nascida e isso vai contra a Constituição", avalia. "A Bolsa Estupro e todo projeto é uma tentativa de frear a efetivação dos direitos da mulher. É um fortalecimento do conservadorismo na sociedade e um grande retrocesso."

Atenção: O STF já criou dois sujeitos jurídicos diferentes para os mesmos embriões: os que estão nos úteros das mulheres não podem ser mexidos. Os que estão congelados ou estão sendo "feitos" nas clínicas de reprodução "assistida" pertecem já ao  bionegócio. Vão gerar patentes, tecidos de reparação de órgãos lesados....e pesquisa de novos medicamentos. A autorização do uso de embriões para engenharia genética  foi aprovada na  Lei de "Biossegurança " que legitimou a soja transgênica da Monsanto. Lei que o deputado Aldo Rebelo do Partido "Comunista" do Brasil relatou com fervor, mostrando que tudo a burguesia transforma em mercadoria, como ele não leu no Manifesto Comunista.

Por sua vez, a Anvisa denomina as clínicas de reprodução "assistida" de "Bancos de células e tecidos germinativos". O sistema de "vigilância sanitária" que controla não as estatísticas de mortes por hiperestimulação hormonal, nem muito menos as taxas de fracasso de 85% (que é a da França) mas sim quantos embriões estão disponíveis para "pesquisa e terapia" chama-se cândidamente "Sistema Nacional de Produção de Embriões". 

Já temos uma patente da primeira linhagem de células vinda de embriões humanos no Brasil. Não se sabe quantos óvulos foram necessários. Provavelmente algumas centenas.

Isso acende algum alarme?

aposto que a CCJ vai manter a separação dos embriões "que vão pro lixo" (que rendem patentes) daqueles que o "útero materno molda" segundo o poeta Ayres Brito

Fonte: Rede Mulher e Mídia
Editado: Claudete Costa 

sábado, 8 de junho de 2013

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Fwd: VACINA CONTRA O HPV - O que é necessário saber!

Nessa história de HPV, há muita gente comprando gato por lebre. Na tentativa de contribuir para o consumo consciente, preparei um guia para sobreviver aos vendedores. Se você achar que as informações são úteis, espalhe.  

A vacina contra o HPV é grande coisa?
Sim. A descoberta de que o vírus pode causar câncer de colo do útero rendeu um prêmio Nobel de medicina. O impacto social da vacina pode ser enorme. Nas áreas pobres, onde as mulheres não têm acesso a exames papanicolau e os homens nunca viram um urologista, a vacina pode reduzir drasticamente os casos de câncer de colo do útero, ânus, pênis e orofaringe.

O HPV sempre provoca doença?
Não. A cada 100 indivíduos sexualmente ativos, 75 adquirem o HPV ao longo da vida. Desses, 60 eliminam o vírus naturalmente. Isso mesmo: naturalmente. Sem fazer nada contra ele, sem sequer perceber que foi infectado.

O que acontece com os 15 que permanecem infectados?
Dez terão o vírus latente, sem qualquer lesão visível. Quatro terão lesões detectadas por exames, como o papanicolau. Se não tratadas, podem virar câncer. Apenas um terá verrugas genitais. Elas são benignas, mas incomodam.

Quem tem infecção latente (sem lesões visíveis) transmite o vírus?
Não se sabe com certeza. Se houver poucas cópias virais do HPV no organismo, ele não é transmitido.

Qual parcela das mulheres infectadas pelo HPV terá câncer do colo do útero?
Apenas 0,5%. Repito: 0,5%.

Qual parcela dos homens infectados pelo HPV terá câncer de pênis?
0,05%. Sim, você leu direito. Isso não é erro de digitação: 0,05%.

Quando a pessoa pega o HPV e fica naturalmente imune ao vírus, a proteção dura para sempre?
Nem sempre. É possível que um indivíduo que tenha adquirido o vírus em algum momento da vida e ficado naturalmente imune por muito tempo volte a adquirir o mesmo HPV se for exposto a ele novamente.

Quem pega o HPV nunca mais se livra dele?
Não é verdade. Com tratamento adequado, a pessoa que não eliminou o vírus naturalmente pode se curar e deixar de transmiti-lo.

Se tomar a vacina, a pessoa fica livre de todos os tipos de HPV?
Não. Existem cerca de 200 tipos de HPV. A vacina Gardasil, da Merck Sharp & Dohme, é quadrivalente. Ou seja: protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18. Eles são responsáveis por 70% dos tumores do colo do útero e por 90% das verrugas genitais. A vacina Cervarix, da GlaxoSmithkline, é bivalente. Protege contra os tipos 16 e 18, que podem provocar câncer.

Quem toma a vacina pode adoecer por causa de outros tipos de HPV?
Sim. As vacinas não protegem contra todos os tipos causadores de lesões genitais e câncer. É possível que no futuro surjam uma segunda geração de vacinas, capazes de oferecer proteção contra um número maior de subtipos do vírus.

Quem tomou a vacina pode contrair a doença?
Pode. As vacinas protegem contra alguns tipos virais (e não todos) e sua eficácia não é total – gira em torno de 80%. A possibilidade de infecção existe, mas o risco de desenvolver a doença é baixo. É possível que o corpo se livre do vírus sem manifestar nenhum sintoma ou reação.

Quanto tempo dura a imunidade conferida pela vacina? 
O tempo de proteção ainda não foi estabelecido. Daí a importância de seguir as pessoas vacinadas, o que está ocorrendo em diversos países, sob os olhares atentos da Organização Mundial da Saúde. Até agora, passados cerca de dez anos de seguimento de jovens vacinadas durante os ensaios clínicos, as duas vacinas registram o mesmo tempo de proteção. Espera-se que o mesmo ocorra em relação aos meninos e rapazes que estão sendo acompanhados há menos tempo.

Depois de cinco anos, é preciso tomar a vacina outra vez? 
Até o momento, não há nenhuma indicação de necessidade de reforço.

É possível fazer um teste para saber se a pessoa já teve contato com o vírus e, dessa forma, evitar gastos desnecessários com a vacina?
É possível, mas não serve para muita coisa. O teste é capaz de indicar que a pessoa teve contato com o HPV, mas não revela qual foi o subtipo. Mesmo que a pessoa soubesse qual foi o subtipo que causou a infecção, a vacina pode protegê-las contra os outros subtipos.

Qual é o melhor momento para tomar a vacina?
O ideal é recebê-la antes do início da vida sexual. Quem não é mais virgem também pode ter benefícios. Mesmo que a pessoa tenha sido infectada por um dos tipos de HPV, a vacina quadrivalente pode protegê-la de outros três tipos. Ainda que o câncer de pênis seja raro, os rapazes também podem ser vacinados. Isso ajuda a quebrar a cadeia de transmissão. Com mais rapazes vacinados, a chance de transmissão do vírus para as moças cai bastante. No caso dos homossexuais, o risco de câncer anal também diminui.

A mulher vacinada pode deixar de fazer o exame papanicolau?
Não. A vacina não protege contra todas as causas de câncer do colo do útero. O exame que detecta lesões pré-cancerosas causadas por outros tipos do HPV continua sendo fundamental. Se descobertas precocemente pelo exame, elas lesões podem ser tratadas e nunca virar um câncer.

A vacina é segura?
Os estudos sugerem que sim. Ela não é feita com o próprio vírus, e sim com partículas virais criadas em laboratório. Elas não contêm o DNA do vírus. Cerca de 85% das voluntárias relataram efeitos colaterais leves. Dor de cabeça, febre branda, pequeno inchaço no braço. Os sintomas desaparecem no dia seguinte. Nos estudos internacionais, houve casos de morte súbita. Nenhuma das mortes, porém, pôde ser relacionado ao uso da vacina.

Quem toma a vacina pode dispensar a camisinha?
Não. A camisinha é fundamental para evitar o risco de contrair outros tipos de HPV e outras doenças sexualmente transmissíveis, como a aids.

A camisinha é suficiente para proteger contra o HPV?
Nem sempre. O HPV pode estar no escroto ou no ânus, regiões em que a camisinha não chega, e ser transmitido durante a relação em qualquer tipo de prática (vaginal, anal e oral).

Vale a pena comprar a vacina?
Depende da situação econômica de cada um. Se para pagar as doses, a família precisar economizar em educação e em alimentação, esqueça a vacina. Se você gasta esse valor em roupas, aparelhos eletrônicos ou qualquer outro supérfluo, talvez seja mais vantajoso investir em saúde.

Por tudo isso, depois de analisar os benefícios e as limitações das vacinas, tenho uma única certeza: criar pânico na população por causa do HPV é uma leviandade.

fonte: Cristiane Segatto

Edição: Claudete Costa, LBL (membro da CISMU no CNS)

MOÇÃO DE REPÚDIO AO ESTATUTO DO NASCITURO




nem papas nem juizes

Ação 2010 da Marcha. Foto: Elaine Campos.

A Marcha Mundial das Mulheres repudia com indignação o Projeto de Lei (PL 489/2007) de autoria dos Ex Deputados Luiz Bassuma (PV-BA) e Miguel Martini (PHS-MG), que propõe instituir o Estatuto do Nascituro. Este projeto foi aprovado na comissão de finanças no dia 05/06 através do substitutivo da deputada Solange Almeida do PMDB do RJ.

O PL passa a considerar sujeito pleno de direito o óvulo fecundado, ou seja, o organismo concebido e não nascido passa a ter mais direitos do que a mulher.

Tal projeto pretende ainda legalizar a violência sexual que as mulheres sofrem, principalmente o estupro, tornando inadmissível o aborto consequente desta violação e instituindo o pagamento de auxílio para sustentação do nascido até os 18 anos. O projeto institui a chamada "Bolsa Estupro", como é conhecida pelos movimentos de mulheres, reforçando que a punição recairá sobre a própria mulher violentada. A bolsa deverá ser paga pelo agressor e, caso não o faça, o ônus recairá sobre o Estado.

O estupro é um crime hediondo. Através deste projeto, o estuprador passa a ser chamado de genitor, e a vítima é obrigada a se relacionar com o criminoso, já que ele deverá assumir a paternidade. Também vão perder o direito ao aborto legal as mulheres com risco de vida e as grávidas de fetos anencéfalos, uma recente conquista do movimento de feminista através do Supremo Tribunal de Justiça.

Afora a hipocrisia, o abrandamento e a naturalização do crime do estupro, e a violação de vários direitos das mulheres, se destaca a pretensão do legislador em querer determinar quando começa a vida, questão que nem a ciência ousou fazer. Ao analisar os dispositivos desta proposta, cai por terra o discurso de "proteção da vida", pois não se vê nada além do que já tratam as legislações vigentes sobre direitos de personalidade, direito de saúde e direitos patrimoniais dos recém nascidos.

Caso aprovado este projeto, fica proibida ainda qualquer manifestação que trate do assunto aborto, cerceando o direito do debate, quesito fundamental para a democracia.

Assim, entendemos que a proposta do "Estatuto do nascituro" deve ser rechaçada, pois ela significa mais um dos ataques dos conservadores, machistas e opressores que:

- Condena as mulheres à submissão, mantendo-as expostas à violência;

- Reflete a omissão do legislativo diante do aborto como elemento de preservação da vida das mulheres e de garantia da autonomia;

- Golpeia a democracia, a igualdade e a justiça, atingindo bens e valores construídos historicamente.

O avanço rumo à aprovação do chamado "Estatuto do Nascituro" deve ser visto como ameaça aos direitos das mulheres. Nele, estão reunidas as pautas mais retrogradas e de submissão, ostentadas pelo patriarcado e pelas instituições que o perpetuam ao longo dos séculos: o controle sobre o corpo das mulheres, a institucionalização da violência sexual e o domínio sobre o destino e a vida das mulheres.

acao2010legalize

Ação 2010 da Marcha.

Fonte: Rede Mulher e Midia

Nota: MMM ( Marcha Mundial de Mulheres)

É POSSÍVEL AVANÇAR NO RETROCESSO?


A recriminalização do aborto do Estatuto do Nascituro: é possível avançar no retrocesso*

Por  – 4 horas atrás
 
Vale mais a vida de um feto ou de uma mulher? (Foto: iStock)
 
O Projeto de Lei (PL) 478/2007, conhecido popularmente como Estatuto do Nascituro, foi aprovado nesta quarta-feira (5) pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara. O próximo passo é análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Mas o que é isso?
Nascituro significa feto. Isso mesmo, é um estatuto que pensa nos direitos do feto. E, como consequência, dialoga com os direitos da mulher – que, muito mais do que uma encubadora, é uma pessoa, tem consciência, direitos e deveres.
 
 
Esse estatuto garante direitos ao embrião. Vamos deixar essa palavra bem clara: embrião. É um amontoado de células, sem consciência, que pode vir a se tornar um bebê. Pode vir porque nem sempre isso acontece, por diversos motivos fisiológicos e sociais.
Antes de começar essa discussão vamos deixar claro que vivemos em um Estado laico, que não deveria pautar suas decisões baseado em princípios religiosos. Essa é uma discussão científica, portanto religião (seja qual for) e achismos sem fundamentos não são argumentos.
 
Quando começa a vida?
A primeira discussão em relação a definir a importância desse estatuto é essa: quando começa a vida? E essa resposta ninguém tem.
Para alguns é no momento da fecundação do óvulo, para outros é quando o corpo começa a ser formado. Mas esses são achismos religiosos e populares. A ciência tem, pelo menos, quatro linhas de pensamento que se destacam: na fecundação, depois da fixação do óvulo no útero (entre o sétimo e o décimo dia de gravidez), depois da formação do sistema nervoso (depois do 14º dia de gestação) e quando todos os órgãos estão minimamente formados (por volta do 5º mês de gestação).
Apesar de termos todas essas linhas não há um consenso. Ninguém ainda conseguiu provar seu ponto com veracidade suficiente para que ele se tornasse um guia. E, se ainda não se sabe quando isso acontece, como pode se garantir direitos? É como garantir que uma cenoura não será comida, apostando em seu direito de vir a ser algo mais tarde.
O que é comprovado é que, antes do terceiro mês (24 semanas) o embrião não tem conexões nervosas no cérebro funcionando, portanto, não sente nenhum estímulo. Nem amor, nem dor. Ele ainda é um amontoado de células. E isso quem está falando não sou eu, mas os pesquisadores do Royal College of Obstetricians e Gynaecologists (Faculdade Real de Obstetras e Ginecologistas), da Inglaterra.
 
Métodos contraceptivos
Ok, aí as pessoas dizem que nós temos métodos contraceptivos extremamente eficientes e que quem não se cuida é irresponsável, certo? Sim, elas dizem, mas não estão baseadas em fatos. Uma novidade: métodos falham.
Pois é! A camisinha não protege de todas as doenças, a pílula não tem a famosa garantia de 99,9% e até a laqueadura ou a vasectomia podem ser revertidas naturalmente. A margem de erro sempre está lá e fingir que ela não existe é mau caratismo de quem quer validar um ponto de vista falho.
Um dado recente sobre a pílula, método mais usado entre as brasileiras, aponta que a pílula falha, no mínimo, para 3 entre cada 1.000 mulheres – o valor é entre 0,3% e 1%. E isso é o remédio sozinho, com a mulher tomando direitinho todos os dias, no mesmo horário e com o corpo totalmente regrado. Os dados são do Manual de Anticoncepção da FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).
 
Pontos mais importantes
Então nós não sabemos quando a vida realmente começa, sabemos que métodos contraceptivos são falhos e ainda assim vamos obrigar mulheres que não podem ter um bebê a tê-lo. É isso mesmo? Sim, é.
E para deixar tudo ainda mais assustador e cerceador de direito das mulheres, outros pontos são chocantes. Por exemplo, a lei "inclui os seres humanos concebidos "in vitro", os produzidos através de clonagem ou por outro meio científica e eticamente aceito". Sim, clo-nes. Eles têm direito, a mulher não.
O artigo 4º diz assim: "É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar ao nascituro, com absoluta prioridade, a expectativa do direito à vida, à saúde, à alimentação, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar, além de colocá-lo a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão". Mas e quem vai cuidar dele depois que ele nascer? Ninguém. Os defensores da vida do embrião acreditam que precisam cuidar dele apenas nesse momento, depois é cada um por si.
E mesmo que a ciência possa apontar que o embrião não irá sobreviver fora do útero a mulher terá que carrega-lo por todo o tempo necessário, comprovando a ideia de que sua função é apenas de encubadora. "O nascituro deficiente terá à sua disposição todos os meios terapêuticos e profiláticos existentes para prevenir, reparar ou minimizar sua deficiências, haja ou não expectativa de sobrevida extra-uterina" - este é o artigo 10º.
Tem também uma parte da lei que diz que se a mulher tiver algum problema de saúde e o tratamento, durante a gestação, coloque em risco a vida do embrião, ela não poderá fazê-lo. Não, você não entendeu errado: é preferível que a mulher morra do que o embrião.
 
Em caso de estupro
Esse talvez seja o ponto mais chocante de todo o projeto. Em caso de estupro, a mulher tem que carregar o bebê e tê-lo. Ela tem como opção, depois de passar 9 meses lembrando o momento em que foi violentada, de dar o, então, bebê para adoção, afinal orfanatos são lugares extremamente bacanas e que deixarão a mulher com a consciência levíssima por deixar qualquer um por lá.
Ainda não foi ruim o suficiente? Fique tranquila, pode piorar. Se for descoberto quem é o estuprador o governo quer obriga-lo a assumir o filho. Olha que coisa linda. Além de você sofrer um abuso ainda vai criar laços com o cara e ter de lidar com isso para o resto da vida. Esse é um parágrafo único do artigo 13º: "Se for identificado o genitor, será ele o responsável pela pensão alimentícia a que se refere o inciso II deste artigo; se não for identificado, ou se for insolvente, a obrigação recairá sobre o Estado".
Ah, quer que fique melhor? Isso vale também para CRIANÇAS abusadas, tá? Afinal, quem já menstrua já pode ser mãe. E isso acontece por voltados 10 ou 12 anos. Sim, uma criança dessa idade que for abusada – pode ser por seu pai, tio ou irmão, como acontece na maior parte dos casos – terá que ser mãe. Gostou?
Mas para minimizar todo esse estrago o governo vai dar uma ajudinha de custo – afinal é apenas sobre isso a vida: dinheiro. Artigo 13, parágrafo II: "direito a pensão alimentícia equivalente a 1 (um) salário mínimo, até que complete dezoito anos".
 
O aborto hoje
Sim, estamos falando de aborto, no fim das contas. Legislar sobre a vida do feto é legislar sobre a opção da mulher abortar ou não. Mas, espera aí, com essa lei todas as clínicas ilegais de aborto serão fechadas? Não. E as clinicas de profissionais renomados, obstetras que cobram fortunas de suas gestantes e fazem abortos por fora? Também não. Quem paga a conta é a mulher.
E a realidade no Brasil, hoje, é simples: mulheres ricas pagam por um aborto seguro e ilegal enquanto mulheres pobres pagam por um aborto em um lugar cheio de riscos, também ilegal. A diferença não é a legalidade, é a mortalidade da mulher. As ricas sobrevivem e você nunca vai nem imaginar que ela já abortou. As pobres morrem jogadas em cantos obscuros da cidade e você vai achar que foi só mais um caso de violência.
 
Cerceamento de liberdades
O que está acontecendo hoje no Brasil é o início de algo que pode se tornar muito maior. Um cerceamento de liberdade baseado em crenças fundamentalistas. Quando leis começam a existir baseadas em crenças religiosas nos aproximamos dos países islâmicos que tanto são criticados. Nos aproximamos do Oriente Médio e seu dia a dia que os ocidentais tanto gostam de chamar de barbárie.
Enquanto você acredita que está lutando pela vida está, na verdade, lutando pelos interesses de dominação de um grupo religioso que cresce, enriquece e passa a mandar e desmandar no pais.
 
Estatuto da Criança e do Adolescente
Enquanto o Estado discute um projeto desse tamanho, que tem um impacto tão forte na vida de todas as pessoas, deixa de lado um estatuto que já existe, o da criança e do adolescente. Nele, diversos pontos são garantidos: educação de qualidade, saúde, moradia, segurança. E, é claro, que não são levados a sério.
Ao invés de cuidar das crianças abandonadas, das que sofrem todo tipo de abuso, daquelas que não encontram mais a luz no fim do túnel e perderam a esperança o Estado quer legislar sobre um embrião, um amontoado de células que não tem consciência e o corpo da mulher, que não pode ser soberana em suas decisões e desejos – não preciso nem dizer que a soberania feminina sobre seu corpo tem ligação direta com a cultura do estupro, preciso?
 
Hora de dizer não
Se depois de ler tudo isso, juntar informações de outras fontes, comparar outras opiniões e basear-se na ciência para encontrar seu ponto de vista, você notar que não acha certo que a possível vida um embrião tenha mais valor do que a vida de uma mulher – porque não é a proibição que fará com que o aborto não aconteça, sejamos realistas – participe do abaixo-assinado "Diga NÃO ao Estatuto do Nascituro (PL 478/2007)" e vá para as ruas com os manifestantes que lutam contra esse projeto abusivo e discriminatório no Ato contra o Estatuto do Nascituro, que acontece em SP, mas une informações de manifestações por todo o país.
 
Fonte: Rede Mulheres e Mída

quinta-feira, 6 de junho de 2013

ESTATUTO DO NASCITURO É APROVADO


A Comissão de Finanças e Tributação aprovou, nesta quarta-feira, o chamado Estatuto do Nascituro (PL  478/07 e cinco projetos sobre o tema que tramitam em conjunto). As propostas dependem agora da aprovação da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania para serem analisados pelo Plenário. Os projetos preveem a concessão de uma bolsa a mulheres que engravidem após estupro.

De acordo com o texto, já aprovado como substitutivo na Comissão de Seguridade Social e Família, nascituro é o ser humano concebido, mas ainda não nascido. Ele terá assegurado o direito à vida, à saúde e a políticas públicas que garantam o seu desenvolvimento.

Segundo a proposta, o nascituro concebido a partir de estupro terá direito à assistência pré-natal e a ser encaminhado para adoção, caso a mãe assim deseje. Se a mãe vítima de estupro não tiver condições econômicas para cuidar da criança, o Estado arcará com uma pensão até que o estuprador seja identificado e responsabilizado pelo pagamento ou a criança seja adotada, se for vontade da mãe.

Efeito na sociedade
Para aprovar o projeto na Comissão de Finanças e Tributação, o relator, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recomendou que a lei passasse a valer no ano seguinte à aprovação. "Nós estamos tratando sobre adequação orçamentária e financeira do projeto e ele é adequado. E, quanto ao mérito, ele tem um efeito muito importante na sociedade de identificar que a vida começa na concepção do ponto de vista de estatuto", destacou Cunha.

Em relação à polêmica gerada em razão de a proposta tratar da gravidez resultante do estupro, Eduardo Cunha considera que o texto aprovado é importante "por dar oportunidade a quem sofreu violência sexual de optar por não praticar o aborto".

Impacto orçamentário
No entanto, votaram contra a proposta os deputados Devanir Ribeiro (SP), Pedro Eugênio (PE), Afonso Florence (BA), Erika Kokay (DF), Cláudio Puty (PA) e Assis Carvalho (PI), todos do PT. O deputado Afonso Florence explica as razões.

"Se vai haver pagamento de benefício de prestação continuada (BPC) tem que se saber quantas pessoas serão beneficiadas, qual o valor do benefício, qual o tempo previsto para esse desembolso, qual a fonte de arrecadação, o impacto orçamentário", ressalta Florence. "Não há essa previsão [nas propostas]. Portanto, apresentamos voto em separado pela inadequação orçamentária do projeto em questão."

Recompensa ao estupro
A votação foi acompanhada por manifestantes contra e a favor do projeto. Para Lúcia Rincón, do Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres, a proposta recompensa o estupro. Na sua avaliação, o texto aprovado é "uma violência contra a população, contra as famílias, a sociedade". Segundo ela, "aprovar este projeto, nesta comissão ou em qualquer outra é legitimar o estupro, recompensar o estuprador, é cometer uma crueldade sem nome com o conjunto das mulheres."

Acompanhado da esposa e da filha de um ano, o autônomo Renato Chagas também estava presente à votação, mas pensa diferente. "A mãe precisa ser cuidada e protegida também. Mas nunca uma dificuldade com relação à mãe pode ter como consequência a punição daquele que não tem nada a ver, que é o neném no ventre materno."

A proposta foi aprovada na Comissão de Finanças e Tributação no dia em que evangélicos organizaram uma marcha ao Congresso em favor da liberdade de expressão, da família tradicional e da vida; e um dia após a manifestação, na Esplanada, de movimentos religiosos também em favor da vida e do estatuto.

Tramitação
O projeto ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser votado pelo Plenário.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Ana Raquel Macedo
Edição – Newton Araújo
--

VAI PARA CASA PADILHA!

NOTA DE REPÚDIO AO MINISTRO DA SAÚDE
04/06/2013 17:36
FÓRUM ONG AIDS RS, articulação Estadual de luta pelo combate e prevenção a aids que tem como missão articular políticas de prevenção e assistência às DST/HIV/aids e suas coinfecções, bem como  colaborar no fortalecimento político das instituições que atuam no âmbito da aids no Rio Grande do Sul, incluindo o acesso aos direitos humanos e justiça social, apresenta a presente NOTA DE REPÚDIO ao ato do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que vetou a peça da campanha voltada às prostitutas, que diz: "Eu sou feliz sendo prostituta". O Fórum Ong aids RS é composto por mais de cinquenta organizações, redes e movimentos que atuam no âmbito aids  e suas implicações,
As prostitutas retratadas na campanha são ativistas do Movimento Aids que diariamente trabalham em ações de prevenção e conscientização da população frente as DST/HIV/Aids, são militantes de uma longa luta e que mais uma vez, tem sua voz caçada pela incompreensão e intolerância do governo.
Fórum Ong aids RS entende que ao vetar essa peça o ministro, bem como o governo brasileiro, reforça o estigma e preconceito com a prostituição, que no Brasil é reconhecida como uma ocupação legal. Esse veto representa um retrocesso nas ações desenvolvidas com as prostitutas e um desrespeito a produção realizada na oficina de comunicação e saúde para profissionais do sexo, promovida pelo próprio Ministério da Saúde.
Pelo exposto, o Fórum Ong aids RS vem a público REPUDIAR o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, bem como a retirada de parte da campanha das prostitutas.

--
" ser negra (o) não é questão de pigmentação, é resistência para ultrapassar a opressão"
http://fuxicodeterreiro.blogspot.com

Pesquisa - Saúde de Mulheres Lésbicas


Olá,
 mulheres!


Estou desenvolvendo uma pesquisa sobre saúde sexual e reprodutiva de

mulheres que fazem sexo com mulheres no Brasil.

O objetivo desta pesquisa é conhecer a respeito das práticas sexuais

deste grupo de mulheres e suas necessidades de saúde relacionadas a 

questões que envolvem a sexualidade, reprodução e prevenção de DSTs, 

AIDS. Também, conhecer as dificuldades enfrentadas por estas mulheres 

durante a consulta médica para ter suas necessidades de saúde atendidas.

A pesquisa se dirige a mulheres de 5 cidades brasileiras: Teresina, Brasília, 

Belém, São Paulo e Porto Alegre.

Gostaria de contar com sua ajuda na divulgação da primeira fase desta 

pesquisa (questionário online).  

Para acessar o questionário, basta se dirigir a este endereço na internet:

www.nupesm.com.br

Inicialmente, a mulher terá acesso a um termo de consentimento. Depois de ler

este termo, caso ela aceite, basta clicar em ACEITO. O questionário, então 

abrirá para ser respondido. Ao final da participação, clicar em ENVIAR.

Agradeço sua ajuda,

Abraços

Profa. Dra. Andréa Rufino
Núcleo de Pesquisa e Extensão em Saúde da Mulher - NUPESM
Universidade Estadual do Piauí
Anis - Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero


VAI PARA CASA PADILHA!

ONGs lançam campanha "Vai pra casa Padilha" 

Ações querem pressionar a saída do ministro da Saúde por suas atitudes de censura a campanhas e sintonia com setores conservadores 

Organizações não governamentais com trabalho em Aids e outras patologias estão lançando a campanha "Vai pra casa Padilha". O movimento manifesta sua insatisfação com a gestão do atual ministro Alexandre Padilha. As ONGs reclamam das ações conservadoras do ministro como o veto ao material direcionado a adolescentes sobre sexualidade e saúde reprodutiva e a recente suspensão da campanha direcionada a prostitutas. Os manifestantes também indicam os "retrocessos" na atual gestão como o investimento em comunidades terapêuticas de orientação religiosa no tratamento de usuários de crack, em detrimento a política de redução de danos e a falta de autonomia do Departamento de DST Aids na definição de estratégias voltadas a populações vulneráveis. 

"Já cansamos de reclamar, pedir audiências, manifestar nossa contrariedade e participar de reuniões sem solução, com esta gestão e esta política fica impossível tratar a saúde publica com qualidade e respeito", afirma Rodrigo Pinheiro do Fórum de ONG Aids de São Paulo. 

Segundo o ativista o número de ONGs com trabalho em Aids tem diminuído devido a falta de apoio governamental. A diminuição de editais e de recursos destinados às ações de prevenção tem se refletido na diminuição do trabalho das organizações. "Desta forma poderemos ter uma ampliação dos casos de Aids, principalmente entre as populações vulneráveis dificilmente acessadas pelos serviços do Estado", analisa. 

O movimento pretende a adesão de outros segmentos sociais como grupos de movimentos LGBT, mulheres, negros e outros e demais segmentos com atuação junto a pacientes de hepatites virais, tuberculose e Hanseníase entre outros. " Vamos nos dirigir diretamente a presidente Dilma pedindo uma nova forma de gestão no Ministério da Saúde e uma nova equipe mais aberta ao diálogo e sem pretensões políticas eleitoreiras, " explica Rodrigo. Também estão previstas ações nas redes sociais e manifestações nos diversos estados, além da elaboração de um documento a ser direcionado a presidente Dilma Rouseff. 

Contatos 

Fórum de ONG Aids de São 
Fórum de ONG Aids Rio Grande do Sul

GESTÃO DE RETROCESSOS 

Área mais mal avaliada do Governo Federal 

A Saúde é a área mais mal avaliada do Governo Federal . Pesquisas de opinião mostram que saúde é a área de atuação do governo atual que obtém pior avaliação da população. Segundo o mais recente levantamento feito pelo Ibope, por exemplo, 67% dos entrevistados desaprovam o desempenho da presidente no setor e somente 30% o aprovam. 

Ações de assistência insatisfatórias 

Há clara falta de profissionais de saúde o que se reflete no atendimento tardio das consultas e na impossibilidade de atendimento de casos novos. Da mesma forma, não se encontram soluções para quem tem necessidade de cirurgias reparadoras.

Ações de prevenção se mantêm estacionadas em realidades ultrapassadas. 

Há urgência de se repensar novas práticas e estratégias como a efetiva implementação de novas tecnologias como a PEP (profilaxia pós-exposição sexual) que não tem acontecido, bem como mais discussão sobre a PrEP (profilaxia pré exposição). Também a carência de insumos de prevenção, sobretudo o destinado à população feminina, é uma difícil realidade em vários estados, como também o comprometimento de estados e municípios na aquisição destes insumos. Há necessidade de repensar a logística de distribuição a partir da esfera federal até municipal. 

Censura a Materiais 

No início de 2012, o MS recuou da campanha de carnaval que seria lançada com foco nos jovens gays para a prevenção da Aids no Carnaval. No último mês de março, a pasta, por determinação do governo, havia mandado recolher um kit de prevenção de Aids dirigido a adolescentes. O material abordava temas como homossexualidade, drogas e gravidez. Agora foi a vez do veto a material direcionado a prostitutas. 



Exoneração do Diretor 

A demissão do diretor do Departamento Nacional, Dirceu Greco, por ter promovido a campanha direcionada as prostitutas foi mais um gesto de truculência e descompromisso do ministro com as populações vulneráveis.

fonte: Carlos Ebeling Duarte
Cel: 51 9984 6674

quarta-feira, 5 de junho de 2013

VAI PRA CASA PADILHA!

Ações querem pressionar a saída do ministro da Saúde por suas atitudes de censura a campanhas e sintonia com setores conservadores 

Organizações não governamentais com trabalho em Aids e outras patologias estão lançando a campanha "Vai pra casa Padilha". O movimento manifesta sua insatisfação com a gestão do atual ministro Alexandre Padilha. As ONGs reclamam das ações conservadoras do ministro como o veto ao material direcionado a adolescentes sobre sexualidade e saúde reprodutiva e a recente suspensão da campanha direcionada a prostitutas. Os manifestantes também indicam os "retrocessos" na atual gestão como o investimento em comunidades terapêuticas de orientação religiosa no tratamento de usuários de crack, em detrimento a política de redução de danos e a falta de autonomia do Departamento de DST Aids na definição de estratégias voltadas a populações vulneráveis. 

"Já cansamos de reclamar, pedir audiências, manifestar nossa contrariedade e participar de reuniões sem solução, com esta gestão e esta política fica impossível tratar a saúde publica com qualidade e respeito", afirma Rodrigo Pinheiro do Fórum de ONG Aids de São Paulo. 

Segundo o ativista o número de ONGs com trabalho em Aids tem diminuído devido a falta de apoio governamental. A diminuição de editais e de recursos destinados às ações de prevenção tem se refletido na diminuição do trabalho das organizações. "Desta forma poderemos ter uma ampliação dos casos de Aids, principalmente entre as populações vulneráveis dificilmente acessadas pelos serviços do Estado", analisa. 

O movimento pretende a adesão de outros segmentos sociais como grupos de movimentos LGBT, mulheres, negros e outros e demais segmentos com atuação junto a pacientes de hepatites virais, tuberculose e Hanseníase entre outros. " Vamos nos dirigir diretamente a presidente Dilma pedindo uma nova forma de gestão no Ministério da Saúde e uma nova equipe mais aberta ao diálogo e sem pretensões políticas eleitoreiras, " explica Rodrigo. Também estão previstas ações nas redes sociais e manifestações nos diversos estados, além da elaboração de um documento a ser direcionado a presidente Dilma Rouseff. 

Contatos 

Fórum de ONG Aids de São Dstaidssp Sms São Paulo
Fórum de ONG Aids Rio Grande do Sul

GESTÃO DE RETROCESSOS 
Área mais mal avaliada do Governo Federal 
A Saúde é a área mais mal avaliada do Governo Federal . Pesquisas de opinião mostram que saúde é a área de atuação do governo atual que obtém pior avaliação da população. Segundo o mais recente levantamento feito pelo Ibope, por exemplo, 67% dos entrevistados desaprovam o desempenho da presidente no setor e somente 30% o aprovam. 

Ações de assistência insatisfatórias 
Há clara falta de profissionais de saúde o que se reflete no atendimento tardio das consultas e na impossibilidade de atendimento de casos novos. Da mesma forma, não se encontram soluções para quem tem necessidade de cirurgias reparadoras.

Ações de prevenção se mantêm estacionadas em realidades ultrapassadas. 

Há urgência de se repensar novas práticas e estratégias como a efetiva implementação de novas tecnologias como a PEP (profilaxia pós-exposição sexual) que não tem acontecido, bem como mais discussão sobre a PrEP (profilaxia pré exposição). Também a carência de insumos de prevenção, sobretudo o destinado à população feminina, é uma difícil realidade em vários estados, como também o comprometimento de estados e municípios na aquisição destes insumos. Há necessidade de repensar a logística de distribuição a partir da esfera federal até municipal. 

Censura a Materiais 
No início de 2012, o MS recuou da campanha de carnaval que seria lançada com foco nos jovens gays para a prevenção da Aids no Carnaval. No último mês de março, a pasta, por determinação do governo, havia mandado recolher um kit de prevenção de Aids dirigido a adolescentes. O material abordava temas como homossexualidade, drogas e gravidez. Agora foi a vez do veto a material direcionado a prostitutas. 

Exoneração do Diretor 
A demissão do diretor do Departamento Nacional, Dirceu Greco, por ter promovido a campanha direcionada as prostitutas foi mais um gesto de truculência e descompromisso do ministro com as populações vulneráveis.

terça-feira, 4 de junho de 2013

E aqui no Rio Grande do Sul, qual são as nossas reais condições? Fica a pergunta!


Em Teresina, segundo entidades negras, essa necessidade é gritante

logo saude populacao negra

As políticas públicas voltadas para mulheres negras ainda são uma necessidade dessa parcela da população, que não se sente totalmente contemplada pelas políticas universalistas.

Dentre as principais necessidades estão as de programas voltados para a saúde delas, já que elas são mais vulneráveis a determinadas doenças. Em Teresina, segundo entidades negras, essa necessidade é gritante.

Para discutir o assunto e outros voltados à população negra feminina, está sendo realizado, nesse final de semana, o I Seminário Estadual de Mulheres Negras e Saúde.

Doenças como diabetes tipo 2, anemia falsiforme, hipertensão arterial e câncer de colo do útero, por exemplo, são mais comuns em mulheres negras do que em brancas. Por causa disso e de outras particularidades dessa etnia, elas pedem ações voltadas especificamente para as mulheres.

Iraneide Soares da Silva, da Instituição da Mulher Negra do Piauí, afirma que se iniciaram há pouco tempo algumas ações voltadas para tentar suprir essa lacuna, mas ainda é tudo muito incipiente, em Teresina.

"Pesquisas já comprovaram que as políticas públicas universalistas não contemplam de forma eficaz a mulher negra.

Essas doenças mais comuns em mulheres com essa cor de pele geralmente são descobertas tardiamente e então o tratamento torna-se mais complicado, principalmente porque não há um tratamento pensado de acordo com essa perspectiva da mulher negra.

Além disso, há a falta de políticas públicas em outros setores como segurança, por exemplo, que acaba chegando na questão saúde também", afirmou.

A enfermeira da coordenação da saúde da mulher da Secretaria Estadual de Saúde, Lourdes Helena, afirma que já começam a ser articuladas ações dentro da Sesapi com o objetivo de contemplar de forma mais efetiva essa parcela da população.

Dentre as ações a serem realizadas na secretaria está a inserção de conteúdos relativos à saúde da mulher negra na formação dos profissionais de saúde.

Além disso, foi criada a coordenação de equidades, que irá articular técnicas voltadas para mulheres negras, e foi feita ainda a implantação do Programa de Saúde da Família para a população quilombola.

 

Fonte: Meio Norte /Instituto Geledés 


domingo, 2 de junho de 2013

ABORTO: Problema ou solução para a mortalidade materna?

Comecemos com um pequeno experimento mental. Suponhamos por um breve
instante que as leis e instituições funcionassem direitinho no Brasil
e que todas as mulheres que induzem ou tentam induzir em si mesmas um
aborto fora das hipóteses previstas em lei (risco de vida para a mãe
ou gravidez resultante de estupro) fossem identificadas, processadas e
presas. Neste caso, precisaríamos construir 5,5 novos presídios
femininos (unidades de 500 vagas) por dia apenas para abrigar as cerca
de 1 milhão de ex-futuras mamães que interrompem ilegalmente suas
gravidezes a cada ano. (Utilizo aqui o número estimado por Mario
Francisco Giani Monteiro e Leila Adesse para 2005).

Recursos igualmente vultosos teriam de ser destinados à edificação de
orfanatos, para abrigar as milhares de crianças que ficariam
desassistidas enquanto suas mães cumprissem pena.

Vale observar ainda que essa minha conta despreza um número
significativo de médicos, parteiras ou simplesmente comadres e amigas
que de algum modo auxiliaram as nossas reeducandas a livrar-se dos
fetos indesejáveis e, pela lei, também deveriam ir a cadeia.

Minha pergunta é muito simples: Você acha que a aplicação universal do
que preconiza a lei do aborto tornaria o Brasil um país melhor ou pior
do que é hoje?

Se você não respondeu melhor, há de concordar comigo que o problema do
aborto não é uma questão que se resolva na Justiça. Aliás, normas que
a maioria de nós não quer ver integralmente cumpridas são sérias
candidatas a leis que não pegam.

E isso deveria pôr quase todo mundo do mesmo lado. O importante, em
termos práticos, é criar as condições para que as mulheres não
precisem abortar, o que se consegue basicamente com a oferta de
métodos contraceptivos gratuitos ou pelo menos muito baratos à
população (com o que a Igreja Católica não concorda) e com educação.
Os estudos demográficos são unânimes em apontar uma fortíssima
correlação entre o nível de instrução da mulher e a diminuição da
fecundidade e, por conseguinte, dos abortos clandestinos. Tal
fenômeno, vale reforçar, já está em curso no Brasil. Trabalhos da
década de 90 estimavam em até 1,4 milhão o número anual de
interrupções forçadas da gravidez.

O problema é que, mesmo que avancemos a passos largos nessas
políticas, ainda assim sobraria um contingente de mulheres que, pelas
mais diversas razões, não conseguiu prevenir a gravidez e deseja
abortar. Em minha opinião, trata-se de uma decisão que cabe
exclusivamente a elas, mas já estou me antecipando.

Esse é um debate no qual as pessoas parecem menos interessadas nos
aspectos práticos (embora eles sejam os que de fato importam) do que
nas discussões de princípio. Assim, antes de prosseguir, precisamos
resolver algumas questiúnculas prévias como quando começa a vida?, a
alma existe?, qual o alcance do Direito?.

O argumento central dos antiabortistas é o de que a vida tem início na
concepção e deve desde então ser protegida. Por essa visão, o embrião
teria os mesmos direitos de qualquer ser humano.

É no mínimo complicado afirmar que a vida começa com a concepção.
Tanto o óvulo como o espermatozoide já eram vivos antes de se unirem.
O que daria para dizer é que a fusão dos gametas marca a criação da
identidade genética do que poderá tornar-se um ser humano, se as
condições ambientais ajudarem. Uma semente não é uma árvore e não
recebe do Ibama o mesmo nível de proteção que uma respeitável tora de
mogno. O que a concepção produz é um ser humano em potência, para
utilizar a distinção aristotélica, autor tão caro à igreja. E não faz
muito sentido embaralhar potencialidades com atualidades; afinal, no
longo prazo somos todos cadáveres.

Só o que torna coerente a posição do Vaticano, é um dogma de fé: o
homem é composto de corpo e alma. E a igreja inclina-se a afirmar que
esta é instilada no novo ser no momento da concepção. Só que ninguém
jamais demonstrou que existe alma e muito menos que ela se instala no
embrião quando o espermatozoide fertiliza o óvulo. O dissenso não opõe
apenas religiosos a desalmados ateus. Uma das mais importantes
autoridades da igreja, santo Tomás de Aquino, afirmou, acompanhando
Aristóteles, que a alma de garotos só chegava ao embrião no 40º dia.
Já a de garotas (vocês sabem como são as meninas!) só no 48º dia.

Mas será que a noção de alma para em pé? Podemos dizer que ela não
casa muito bem com o que sabemos de biologia. Estima-se que 2/3 a 3/4
dos óvulos fecundados jamais se fixem no útero, resultando em abortos
espontâneos. A vida em potência, no mais das vezes, torna-se, não vida
em ato, mas aborto em ato. Se a alma é soprada por Deus no momento da
concepção, qual é o sentido desse verdadeiro holocausto anímico? Para
cada alma humana que vinga duas ou três são sacrificadas antes mesmo
de vir à luz. Tamanho desperdício seria menos insensato se a Igreja
Católica abraçasse, como as religiões mais antigas, a doutrina da
metempsicose (transmigração das almas). A alma não teve sucesso nesta
tentativa, paciência, poderá conseguir mais tarde. Mas, como o
catolicismo rejeita a tal da reencarnação, cada aborto resulta numa
alma irremediavelmente perdida. É bem verdade que essa aparente
incongruência não é um problema para o verdadeiro fiel, que jamais
questiona os atos de Deus. Se Ele comanda uma Auschwitz espiritual,
deve ter motivos para isso, mesmo que desafiem a nossa compreensão.

Só que o desperdício não é a única dificuldade que a introdução da
alma gera. Para começar, a própria concepção não é exatamente um
instante, mas um intervalo que varia de 24 a 48 horas. Esse é o tempo
que transcorre entre a penetração do espermatozóide no óvulo e a fusão
genética dos gametas. Será que a alma leva todo esse tempo para ser
soprada no novo ser? Pior, se assumimos todas as conseqüências dessa
noção, mulheres que usam DIU ou tomam a pílula do dia seguinte
deveriam ser processadas como assassinas em série, pois esses métodos
contraceptivos impedem que o concepto --já com alma-- se implante no
útero. (A Igreja Católica de fato condena toda forma não natural de
prevenção da gravidez, mas a maioria dos protestantes não vai tão
longe).

É, entretanto, o fenômeno da gemelaridade que revela todos os limites
e contradições da idéia de alma. Como já expliquei em outras colunas,
gêmeos monozigóticos (idênticos) se formam entre um e 14 dias depois
da fertilização, quando o embrião sofre um desenvolvimento anormal
dando lugar a dois ou mais indivíduos com o mesmo material genético. A
alma, é claro, já estava lá. Cabem, assim, algumas perguntas. Ela
também se divide, ou outras almas surgem para animar os demais irmãos?
De onde elas vêm? Quem fica com a original? E, se gêmeos partilham a
mesma alma, como fica o livre-arbítrio? Se um irmão peca, leva o outro
ao inferno? Ou a alma boa prevalece sobre a má, carregando para o
paraíso uma ovelha negra? In dubio pro bono.

A situação fica ainda mais divertida se pensarmos nas quimeras, isto é
aqueles indivíduos compostos por materias genéticos provenientes de
diferentes zigotos. O quimerismo é relativamente raro entre humanos,
mas ocorre quando dois ou mais embriões se fundem antes do quarto dia
de gestação. Se os óvulos são do mesmo sexo, o mais provável é que
surja um indivíduo perfeito, embora às vezes com um olho de cada cor
ou mesmo com diferentes tonalidades de pele e cabelo. Na hipótese de
serem um de cada sexo, o resultado será o hermafroditismo.

Teríamos aqui pessoas com duas ou mais almas dentro de si mesmas. Qual
prevalece? Se uma for boa e outra má a pessoa se divide para ir ao
paraíso e ao inferno? Como? Por turnos ou pela repartição física? Ou
tira-se a média e a ela vai para o purgatório?

O que procurei mostrar com essas considerações é que não é tão certo
que a vida comece com a concepção. Essa é uma ideia que depende muito
mais de dogmas de fé não provados do que de boa informação colhida em
campo.

O meu palpite (e é só um palpite, porque eu, ao contrário de alguns
religiosos, tenho muito poucas certezas) é que não dá para estabelecer
um instante mágico a partir do qual o embrião se torna um ser humano.
Ou melhor, até podemos eleger esse momento, mas ele será tão
arbitrário quanto qualquer outro.

E, já que a definição é necessariamente arbitrária, não vejo motivos
para não a ajustarmos às nossas necessidades.

Vale reparar que é esse o tratamento que a lei brasileira já dispensa
hoje ao assunto, como se pode constatar a partir da pena que ela
reserva para o aborto (1 a 4 anos) e para o homicídio simples (6 a
20). A própria Bíblia faz a mesma distinção em Êxodo 21:22.

Minha sugestão é que deixemos a hipocrisia de lado. Se acreditamos na
versão católica da vida, deveríamos banir o aborto em todas as
ocasiões (inclusive quando há perigo de vida para a mãe) e equiparar
sua pena à do homicídio qualificado (sem possibilidade de defesa para
a vítima), que é de até 30 anos. O otimista sempre poderá afirmar que
a construção de tantos presídios vai estimular a economia.

Alternativamente, podemos avançar mais um pouco na necessária
arbitrariedade das definições e permitir que, no início da gestação, a
mulher possa decidir livremente se quer ou não abortar e, à medida que
a gravidez avança, as proteções dadas ao feto vão sendo ampliadas. É a
definição mesma de processo. Eliminar um feto em estágios mais
avançados da gravidez significa tirar uma vida? É claro que sim, mas
nosso sistema jurídico admite várias situações, até mesmo de
homicídio, que são escusadas. É o caso da legítima defesa, do estrito
cumprimento do dever, entre outros.

O mundo não é exatamente um lugar bonito. Mas não precisamos piorá-lo
ainda mais transformando-o numa imensa penitenciária.

Fonte: Folha Online, Schwartsmann, Hélio (articulista)
Edição: Claudete Costa, LBL 
(Membro da CISMU, do CNS)